quarta-feira, 19 de março de 2014

Profissionais da Saúde – do especialista para o gestor

As bases produtivas da sociedade capitalista como conhecemos hoje passou, necessariamente, de uma produção artesanal para uma produção em massa. Possibilitando ganhos de escala, produtividade e o acúmulo de riquezas. O leitor aqui pode estar perguntando o que isto tem haver com um artigo direcionado para profissionais da saúde?
 Posso dizer que tem tudo a ver. Explico: a produção artesanal tinha (tem) como base o conhecimento e as habilidades específicas do artesão. Ele cuidava de todas as etapas de fabricação. Desde o fornecimento da matéria prima, passando pela fabricação do produto, até a comercialização. Dependia apenas de seus próprios esforços.
Para produzir em uma escala maior, superando os limites impostos pela capacidade de produção uma única pessoa, surgiu o modelo de produção em massa. A produtividade agora não dependia apenas de uma única pessoa, mas sim da soma de esforços de uma série de delas. Surgia dai também, além da habilidade técnica, especificamente voltada para o produto, a necessidade da habilidade de coordenação.
Pense agora num médico, num dentista, num fonoaudiólogo, num farmacêutico ou num psicólogo, que até então trabalhava de uma forma independente, tendo que lidar apenas com o seu próprio esforço para produzir – o que muito se assemelha ao trabalho de um artesão –, e decide empreender e abrir um consultório ou uma clínica com o objetivo de aumentar a sua capacidade de atendimento.
Ele vai ter que contar com uma equipe de profissionais. Isto é, este profissional da saúde vai precisar agora, de habilidades de coordenação. Ou, como denominou Peter Drucker (considerado o pai da administração moderna): habilidades de gestão.
Este profissional, ao se tornar um empreendedor/empresário, terá que lidar com várias questões que até então não faziam parte de seu dia a dia: como garantir atendimentos de qualidade sem ser ele o executor? Como perceber as necessidades dos clientes sem estar sempre em contato direto com eles? Como garantir o retorno financeiro sobre os investimentos, que compense todo o esforço adicional de coordenação? Como manter as pessoas da equipe motivadas e satisfeitas?
Enfim, o profissional de saúde que decidir empreender, ter o seu próprio negócio, precisará ampliar suas habilidades para além da sua especialização. É a mudança de foco de produto/serviço para foco no negócio. Partir deste pressuposto pode ser determinante para o negócio prosperar.
Esta transição não é fácil. Uma solução pode ser abrir o negócio em sociedade. Busque, portanto, mais que um sócio que esteja disposto a investir. Busque um sócio que te complemente com habilidades que você não possui. Um dos sócios pode ser o técnico, o especialista. O outro pode ser o gestor do negócio, o generalista.

Valter Higa é Empresário e Mestre em administração de Empresas pela FGV-EAESP.

Contato: valter.higa@gvmail.br

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